O FIO DO TEMPO
O fim do pessimismo
1. Percorre a seiva da opinião dominante nos principais meios de comunicação uma sensação de pessimismo que em nada conseguirá resgatar a vontade positiva para a vivência de cada dia. Ainda há dias a folhear um jornal de boa reputação, ao percorrer as páginas e as várias visões e opiniões, a conclusão a que se chega é que tudo parece negro, frio, negativo, feio, não havendo quase “ponta” social por onde se lhe pegue. O pessimismo partilhado pelas mais altas gerações, mesmo que com a dose de realismo justificada, tem efeitos nefastos nas mais novas gentes que estão a abrir os olhos para este mundo.
2. É verdade que jamais saberemos quantificar o impacto e o efeito negativo de toda a onda pessimista que se atrai a si própria podendo conduzir ao imobilismo de que já nada vale a pena fazer. Talvez entre tantas razões de pessimismo estará o facto da chamada sociedade dita de bem-estar a certa altura se ter atribuído a si própria seguranças acima das realidades e contingências; e se fossemos ver por esse mundo fora a verdade humana para além de nós mesmos, mudaríamos muito de opinião, sem que isto sirva de conformismo ao deixar estar como está ou então a dizer-se aquele refrão que como os males de outros se pode sempre bem…!
3. Por vezes alguns historiadores que percorrem os séculos do nosso país, lêem determinadas passagens do passado longínquo e parece que foram escrita para hoje. Uma torrente de pessimismos têm arrastado a memória colectiva que parece gerar o desconcertante diante do compromisso de todos os dias. Ar fresco e inspiração, precisa-se! A capacidade do positivo e da esperança, sem ocultar a realidade como ela é para a transformar, é um valor fundamental. Urge implementar a cultura do bem, das boas práticas, das boas acções, da promoção de tudo o que edifique… Antes que esse rasto do “péssimo” feche a esperança da mente dos mais novos…
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O FIO DO TEMPO
E o tempo depois…?
1. Em todos os níveis daquilo que é uma vida intensa de trabalho, existe sempre um depois… O “depois” do jogo, da corrida, do exame, do labor árduo; o depois onde fica o verdadeiro sentir do que se aprendeu e do que se cresceu com a experiência de vida. Na medida em que o caminho é construído com um conjunto de valores e referências positivas, assim tanto mais o “depois” será o colher dos frutos da sementeira que se plantou. Mas valerá a pena debruçarmo-nos sobre o “dia seguinte” após longos dias de trabalho, a idade em que se entra na chamada reforma.
2. Há tanto de bom para fazer neste mundo que todas as idades e em todas as circunstâncias todos os corações disponíveis são convidados a colaborar para o bem da comunidade. Tudo porque se torna essencial dar valor e sentido positivo à vida e ao tempo da vida. O pior que poderá acontecer será ter tempo livre em excesso, não dar alma construtiva aos minutos e às horas, pois que até custa o passar do tempo quando ele não é válido para si e para outrem. Hoje, também neste novo contexto em que uma nova multidão de pessoas vão entrando na idade da reforma, existem um conjunto vasto de programas de voluntariado, de acções solidárias, de empenhos na construção do bem comum porque se lutou cada dia.
3. Mas, uma verdade é bem nítida: o “tempo depois” será tanto mais válido quanto mais no tempo antes e durante os anos fortes da vida a pessoa se abriu a dimensões sociais e comunitárias. Neste terreno a liberdade pessoal é o lugar definitivo onde se constrói o principal tesouro; por muito que a ajuda de outrem exista no despertar dessa abertura de espírito, a verdade é que esta não entra no campo das obrigações... Só há vantagens em irmos abrindo a nossa vida a novas dimensões comunitárias. Num tempo em que alarga o leque de pessoas que entram nesta nova fase da vida, valerá a pena ampliar esta compreensão global e mesmo estudá-la.
E o tempo depois…?
1. Em todos os níveis daquilo que é uma vida intensa de trabalho, existe sempre um depois… O “depois” do jogo, da corrida, do exame, do labor árduo; o depois onde fica o verdadeiro sentir do que se aprendeu e do que se cresceu com a experiência de vida. Na medida em que o caminho é construído com um conjunto de valores e referências positivas, assim tanto mais o “depois” será o colher dos frutos da sementeira que se plantou. Mas valerá a pena debruçarmo-nos sobre o “dia seguinte” após longos dias de trabalho, a idade em que se entra na chamada reforma.
2. Há tanto de bom para fazer neste mundo que todas as idades e em todas as circunstâncias todos os corações disponíveis são convidados a colaborar para o bem da comunidade. Tudo porque se torna essencial dar valor e sentido positivo à vida e ao tempo da vida. O pior que poderá acontecer será ter tempo livre em excesso, não dar alma construtiva aos minutos e às horas, pois que até custa o passar do tempo quando ele não é válido para si e para outrem. Hoje, também neste novo contexto em que uma nova multidão de pessoas vão entrando na idade da reforma, existem um conjunto vasto de programas de voluntariado, de acções solidárias, de empenhos na construção do bem comum porque se lutou cada dia.
3. Mas, uma verdade é bem nítida: o “tempo depois” será tanto mais válido quanto mais no tempo antes e durante os anos fortes da vida a pessoa se abriu a dimensões sociais e comunitárias. Neste terreno a liberdade pessoal é o lugar definitivo onde se constrói o principal tesouro; por muito que a ajuda de outrem exista no despertar dessa abertura de espírito, a verdade é que esta não entra no campo das obrigações... Só há vantagens em irmos abrindo a nossa vida a novas dimensões comunitárias. Num tempo em que alarga o leque de pessoas que entram nesta nova fase da vida, valerá a pena ampliar esta compreensão global e mesmo estudá-la.
O FIO DO TEMPO
De um país à Humanidade
1. Na abertura do ciclo de Grandes Conferências da Fundação Calouste Gulbenkian esteve em Lisboa Tara Gandhi, neta de Mahatma Gandhi (1869-1948). Escutada atentamente, seduziu pelas suas meditadas palavras da paz pela não-violência. Destacou a “poluição da mente” que persiste, falou sobre a construção da democracia e o silêncio humano necessário como reflexão e meditação sobre a nossa condição sobre a terra. Portadora da herança de seu avô, ela destaca que o pior dos males do mundo não é o ódio mas sim o «medo»; é este, no seu dizer o contrário do amor.
2. Acolhermos o testemunho de quem vem da raiz da paz indiana é sensibilizante e quer mover ao compromisso histórico em viver os mesmos ideais. Interessante o universalismo da mensagem quando a neta diz que «Gandhi não pertence à Índia mas a toda a humanidade».
Diante do mundo onde os processos de vivência e decisão são hoje bem superiores à clássica ideia do Estado-Nação, a necessária consciência de pertença à comum humanidade sai reforçada e a democracia como “convivência” acaba por se transformar em alta responsabilidade global. É neste domínio que um país (como uma pessoa) que se fecha ao mundo fecha-se a si próprio. O contrário também.
3. Os medos e a chamada poluição da mente são os principais obstáculos ao destino humano comum. Ensinar e aprender a liberdade é missão que exige todos os contributos. Nenhuma área do conhecimento deve ficar de fora. Quando nos perguntamos sobre as principais “feridas” dos países que constituem a Humanidade também haveremos de procurar as principais soluções iluminadoras. Nestas, no dizer de Tara Gandhi, também a cultura e religião, a qual «é uma forma de nos unirmos aos outros, para descobrirmos mais sobre nós próprios». Eis uma chave do século XXI.
De um país à Humanidade
1. Na abertura do ciclo de Grandes Conferências da Fundação Calouste Gulbenkian esteve em Lisboa Tara Gandhi, neta de Mahatma Gandhi (1869-1948). Escutada atentamente, seduziu pelas suas meditadas palavras da paz pela não-violência. Destacou a “poluição da mente” que persiste, falou sobre a construção da democracia e o silêncio humano necessário como reflexão e meditação sobre a nossa condição sobre a terra. Portadora da herança de seu avô, ela destaca que o pior dos males do mundo não é o ódio mas sim o «medo»; é este, no seu dizer o contrário do amor.
2. Acolhermos o testemunho de quem vem da raiz da paz indiana é sensibilizante e quer mover ao compromisso histórico em viver os mesmos ideais. Interessante o universalismo da mensagem quando a neta diz que «Gandhi não pertence à Índia mas a toda a humanidade».
Diante do mundo onde os processos de vivência e decisão são hoje bem superiores à clássica ideia do Estado-Nação, a necessária consciência de pertença à comum humanidade sai reforçada e a democracia como “convivência” acaba por se transformar em alta responsabilidade global. É neste domínio que um país (como uma pessoa) que se fecha ao mundo fecha-se a si próprio. O contrário também.
3. Os medos e a chamada poluição da mente são os principais obstáculos ao destino humano comum. Ensinar e aprender a liberdade é missão que exige todos os contributos. Nenhuma área do conhecimento deve ficar de fora. Quando nos perguntamos sobre as principais “feridas” dos países que constituem a Humanidade também haveremos de procurar as principais soluções iluminadoras. Nestas, no dizer de Tara Gandhi, também a cultura e religião, a qual «é uma forma de nos unirmos aos outros, para descobrirmos mais sobre nós próprios». Eis uma chave do século XXI.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O FIO DO TEMPO
A corrente do sistema
1. Há dias uma imagem aa televisão, vinda da China, impressionou quem se deixa impressionar. Era um pai que, tendo-lhe sido roubada a filha mais velha, pegou no filho mais novo, de seus três anos, e amarrou-o com uma corrente a qualquer coisa fixa, não lhe fosse acontecer o mesmo destino trágico. O pai partilhava o desespero da insegurança, mas com a naturalidade de quem já está habituado à desumanidade. Tudo acontece na China, sistema que se vai afirmando com importâncias na cena internacional, mas no retrato nacional sofre os abalos de tamanhas condições de indignidade. Dizem os números, que não se podem calar, que são na ordem das cem mil crianças ano raptadas para os vários tráficos (de órgãos, de crianças, de prostituição) que persistem na era da globalização.
2. E o mundo assiste a este rodopio de notícias, esta como tantas outras, em que correntes de sistemas aprisionam pessoas e nações. Uma lei perturbadora também reina nestes acorrentados: a de que alguns países entusiasmados em conquista de figurantes de primeira linha na cena internacional, nesse processo vistoso, crescem por dentro no doloroso caminho até lá chegar. São gerações de mártires deste género, na China como noutras paragens, em que à distância “tudo” o que podemos fazer é quase-nada, a não ser ter compaixão, sofrer com quem sofre e mas ampliar o leque dos que não se conformam. Se a comunicação do mundo actual nos aproxima do que antes era obscuro, a nossa correspondência haverá de ser libertadora de cada opressão.
3. Mas, ainda, o pior de tudo é matar à raiz uma nova vida. Se os adultos não se entendem e trocam galhardetes ente si, tenham na sua capacidade de resposta adulta os argumentos com que se defender. Mas aquela(s) criança(s) chinesa(s), vítima(s) do sistema e das correntes que ao mesmo tempo aprisionam mas que garantem a perturbadora segurança… essa criança no seu olhar deixa-nos a pensar que mundo violento os grandes deixam aos mais pequenos. E depois, eles serão o que hoje formos…? Esperemos que não!
A corrente do sistema
1. Há dias uma imagem aa televisão, vinda da China, impressionou quem se deixa impressionar. Era um pai que, tendo-lhe sido roubada a filha mais velha, pegou no filho mais novo, de seus três anos, e amarrou-o com uma corrente a qualquer coisa fixa, não lhe fosse acontecer o mesmo destino trágico. O pai partilhava o desespero da insegurança, mas com a naturalidade de quem já está habituado à desumanidade. Tudo acontece na China, sistema que se vai afirmando com importâncias na cena internacional, mas no retrato nacional sofre os abalos de tamanhas condições de indignidade. Dizem os números, que não se podem calar, que são na ordem das cem mil crianças ano raptadas para os vários tráficos (de órgãos, de crianças, de prostituição) que persistem na era da globalização.
2. E o mundo assiste a este rodopio de notícias, esta como tantas outras, em que correntes de sistemas aprisionam pessoas e nações. Uma lei perturbadora também reina nestes acorrentados: a de que alguns países entusiasmados em conquista de figurantes de primeira linha na cena internacional, nesse processo vistoso, crescem por dentro no doloroso caminho até lá chegar. São gerações de mártires deste género, na China como noutras paragens, em que à distância “tudo” o que podemos fazer é quase-nada, a não ser ter compaixão, sofrer com quem sofre e mas ampliar o leque dos que não se conformam. Se a comunicação do mundo actual nos aproxima do que antes era obscuro, a nossa correspondência haverá de ser libertadora de cada opressão.
3. Mas, ainda, o pior de tudo é matar à raiz uma nova vida. Se os adultos não se entendem e trocam galhardetes ente si, tenham na sua capacidade de resposta adulta os argumentos com que se defender. Mas aquela(s) criança(s) chinesa(s), vítima(s) do sistema e das correntes que ao mesmo tempo aprisionam mas que garantem a perturbadora segurança… essa criança no seu olhar deixa-nos a pensar que mundo violento os grandes deixam aos mais pequenos. E depois, eles serão o que hoje formos…? Esperemos que não!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O FIO DO TEMPO
O verniz e o cinto…
1. Chegámos a um momento muito difícil. Sente-se o verniz a estalar e continua certa a garantia do apertar do cinto. Quem viveu períodos como este (e mesmo quem não viveu) sente que o futuro tem um reforço de incertezas como já não se sentia há muito tempo… O caso da lei das finanças regionais e todo o xadrez de pressões, intenções primeiras, segundas e terceiras; a crise social instalada, o aumento transversal da precariedade, as pessoas do desemprego histórico, a criminalidade e insegurança que se confirma cada vez mais diária; a nossa comparação com a Grécia e a galopante não credibilidade externa; a escassez de horizontes políticos que enfermam um diálogo que todos reclamam mas que “todos” falham; a sensação de que a liberdade de opinião se sente ameaçada com sucessivos casos de “alegadas” pressões e de “problemas” a serem resolvidos…
2. Um criticismo sistemático dos males que nos atormentam que impedem de ver uma luz em céu aberto; a ideia de que se formos mesmo perguntar o que os portugueses pensam sobre «saúde, cultura, educação, justiça, história, rigor, método, empreendedorismo, política», diante destas e de outras tantas outras ideias estimulantes ou áreas sociais essenciais a sensação de que entre a indiferença ou o dizer mal é o pântano generalizado preferencial; a verdade de que apatia e descompromisso atraem a desmotivação, ambiente este que conduz a novas multidões de emigração diante de um país truncado (porque o truncámos!?); a noção de que carecemos: 1º, da autocrítica de revisão em ordem ao progresso diário e 2º, da nobre responsabilidade de cada um para se assumir todas as consequências, preferindo-se a vitimização preguiçosa ou a desculpabilização.
3. Claro que tudo o que apresentamos acima não é nada de novo, nem nada de verdade; ou outras vezes é tudo de verdade e ainda será pior; de extremos e de verniz estalado e de cinto apertado. Tudo simbólico o que escrevemos; só uma verdade: os habitantes de um país são os que o constroem; o mal que se publicita volta ao ponto de partida, sendo perca de tempo. Mas, efectivamente, diante de tantas crises, o que o país menos precisava era do que se vê; excepto aquela sugestão de baixar até ao “valor X” as grandes reformas e os irrazoáveis salários “pagos” pelos cintos apertados. E esta!?
O verniz e o cinto…
1. Chegámos a um momento muito difícil. Sente-se o verniz a estalar e continua certa a garantia do apertar do cinto. Quem viveu períodos como este (e mesmo quem não viveu) sente que o futuro tem um reforço de incertezas como já não se sentia há muito tempo… O caso da lei das finanças regionais e todo o xadrez de pressões, intenções primeiras, segundas e terceiras; a crise social instalada, o aumento transversal da precariedade, as pessoas do desemprego histórico, a criminalidade e insegurança que se confirma cada vez mais diária; a nossa comparação com a Grécia e a galopante não credibilidade externa; a escassez de horizontes políticos que enfermam um diálogo que todos reclamam mas que “todos” falham; a sensação de que a liberdade de opinião se sente ameaçada com sucessivos casos de “alegadas” pressões e de “problemas” a serem resolvidos…
2. Um criticismo sistemático dos males que nos atormentam que impedem de ver uma luz em céu aberto; a ideia de que se formos mesmo perguntar o que os portugueses pensam sobre «saúde, cultura, educação, justiça, história, rigor, método, empreendedorismo, política», diante destas e de outras tantas outras ideias estimulantes ou áreas sociais essenciais a sensação de que entre a indiferença ou o dizer mal é o pântano generalizado preferencial; a verdade de que apatia e descompromisso atraem a desmotivação, ambiente este que conduz a novas multidões de emigração diante de um país truncado (porque o truncámos!?); a noção de que carecemos: 1º, da autocrítica de revisão em ordem ao progresso diário e 2º, da nobre responsabilidade de cada um para se assumir todas as consequências, preferindo-se a vitimização preguiçosa ou a desculpabilização.
3. Claro que tudo o que apresentamos acima não é nada de novo, nem nada de verdade; ou outras vezes é tudo de verdade e ainda será pior; de extremos e de verniz estalado e de cinto apertado. Tudo simbólico o que escrevemos; só uma verdade: os habitantes de um país são os que o constroem; o mal que se publicita volta ao ponto de partida, sendo perca de tempo. Mas, efectivamente, diante de tantas crises, o que o país menos precisava era do que se vê; excepto aquela sugestão de baixar até ao “valor X” as grandes reformas e os irrazoáveis salários “pagos” pelos cintos apertados. E esta!?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O FIO DO TEMPO
O fenómeno Avatar
1. Ninguém duvida da força do mundo da imagem, dos impérios dos cinemas, do quanto eles reflectem, de um modo ou de outro, a realidade do mundo que vivemos; os seus bens ou os seus males, as suas angústias e aspirações. É uma multidão de actores imortalizados, e é um mundo que acompanha continuamente os desenvolvimentos da sétima arte, o cinema. As mais famosas películas cinematográficas são espelho de culturas e crenças, retratam momentos históricos decisivos, partilham mundialmente as mais belas paisagens; abrem-nos ao mundo do imaginário, digital, ficção, fazendo-nos ver o invisível. Mas também o cinema reflecte a violência que vai nos corações, a inveja e a corrupção que persiste, podendo quase ser uma sedutora escola de crime.
2. Quanto ao mundo do cinema, dir-se-á, nem o elogio nem o desprestígio; mas todo o cuidado, atenção e zelo em termos da inevitável impressão que a imagem grava do olho e na mente humana. Há filmes que apelam ao melhor e ao pior; cenários humanos que fascinam e outros que são tremendos. Tem vindo a crescer o uso da violência para cativar, como o mundo místico para envolver. Há realizadores históricos que têm gerado autênticos fenómenos de bilheteiras, que antecipam o mundo futuro. É obrigatório falar de Cameron, o realizador dos vários recordes. Após o filme Titanic (1997) James Cameron, após muitos anos de preparação, lança o seu último filme recordista, superando-se a si próprio. AVATAR é a nova história proposta que ilude, pelo divino, quem mergulha no mundo distante Pandora.
3. Mas o que se passa nesse imaginário mundo Pandora? Diz quem vê o filme criticamente que ele provoca sentimentos perigosos em termos existenciais e muito influenciadores para quem não está preparado. Por estranho que pareça, nos EUA a idade mínima está acima dos 10 anos; em Portugal, 6 anos foi considerada a idade ajustada. Preocupante? Diante de tal “poder”, força e fascínio do imaginário, todos os cuidados e atenções são sempre poucos…
O fenómeno Avatar
1. Ninguém duvida da força do mundo da imagem, dos impérios dos cinemas, do quanto eles reflectem, de um modo ou de outro, a realidade do mundo que vivemos; os seus bens ou os seus males, as suas angústias e aspirações. É uma multidão de actores imortalizados, e é um mundo que acompanha continuamente os desenvolvimentos da sétima arte, o cinema. As mais famosas películas cinematográficas são espelho de culturas e crenças, retratam momentos históricos decisivos, partilham mundialmente as mais belas paisagens; abrem-nos ao mundo do imaginário, digital, ficção, fazendo-nos ver o invisível. Mas também o cinema reflecte a violência que vai nos corações, a inveja e a corrupção que persiste, podendo quase ser uma sedutora escola de crime.
2. Quanto ao mundo do cinema, dir-se-á, nem o elogio nem o desprestígio; mas todo o cuidado, atenção e zelo em termos da inevitável impressão que a imagem grava do olho e na mente humana. Há filmes que apelam ao melhor e ao pior; cenários humanos que fascinam e outros que são tremendos. Tem vindo a crescer o uso da violência para cativar, como o mundo místico para envolver. Há realizadores históricos que têm gerado autênticos fenómenos de bilheteiras, que antecipam o mundo futuro. É obrigatório falar de Cameron, o realizador dos vários recordes. Após o filme Titanic (1997) James Cameron, após muitos anos de preparação, lança o seu último filme recordista, superando-se a si próprio. AVATAR é a nova história proposta que ilude, pelo divino, quem mergulha no mundo distante Pandora.
3. Mas o que se passa nesse imaginário mundo Pandora? Diz quem vê o filme criticamente que ele provoca sentimentos perigosos em termos existenciais e muito influenciadores para quem não está preparado. Por estranho que pareça, nos EUA a idade mínima está acima dos 10 anos; em Portugal, 6 anos foi considerada a idade ajustada. Preocupante? Diante de tal “poder”, força e fascínio do imaginário, todos os cuidados e atenções são sempre poucos…
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O FIO DO TEMPO
Muito mais que cidadania…
1. Na data histórica de 31 de Janeiro, no Porto, deu-se início às comemorações do Centenário da República Portuguesa. Começaram, neste contexto histórico, a ser partilhadas muitas mensagens repletas de história e muitas entrevistas a personalidades do mundo da política e da cultura. Também aquelas perguntas breves de rua (sobre acontecimentos relacionados com a instauração da república e personalidades situadas nessa época complexa) manifestam grande desconhecimento da nossa história nacional, ou então um enviesamento menos saudável no que à história diz respeito. Um vasto conjunto de “refrães” enaltecedores da ideologia republicana está no ar; aquilo que é uma oportunidade cívica não se pode asfixiar em visões limitadas e circunscritas a ideias fechadas.
2. Um dos traços comuns do lançamento das comemorações é a necessidade de espevitar a intervenção cívica para aquilo que são as realidades e os problemas da sociedade em geral, e o tempo e o modo como a actividade política enobrece o compromisso público e particular com o bem comum. Das palavras mais ditas como apelo é a palavra «cidadania». Indo ao dicionário, cidadania no espírito da república pode-nos orientar mais para a noção de “cidade” que de “humanidade”. Poderíamos dizer, com as devidas limitações de todas as comparações, que a república cidadânica, inspirada na Revolução Francesa (1789), nascendo em contraposição e reacção ao modelo anterior (mais assente no “campo” que na cidade), aponta o caminho da exaltação mais de direitos de cidadania que de direitos humanos.
3. Se a república é o actual modelo de governança, este também precisa – à semelhança de outros modelos ao longo dos tempos – de ser confrontado para se ir purificando. A República nasceu com Platão, a comunidade ideal onde a todos é garantido o essencial; as repúblicas actuais, no “dia seguinte” à sua instauração, precisam de alerta contínuo para não caírem nos males que denunciaram no regime anterior. É bom sentir que só «cidadania» é muito pouco e que o «ser humano» é que é tudo! Ou seja: relativizar a ideologia, ela depende da sua prática.
Muito mais que cidadania…
1. Na data histórica de 31 de Janeiro, no Porto, deu-se início às comemorações do Centenário da República Portuguesa. Começaram, neste contexto histórico, a ser partilhadas muitas mensagens repletas de história e muitas entrevistas a personalidades do mundo da política e da cultura. Também aquelas perguntas breves de rua (sobre acontecimentos relacionados com a instauração da república e personalidades situadas nessa época complexa) manifestam grande desconhecimento da nossa história nacional, ou então um enviesamento menos saudável no que à história diz respeito. Um vasto conjunto de “refrães” enaltecedores da ideologia republicana está no ar; aquilo que é uma oportunidade cívica não se pode asfixiar em visões limitadas e circunscritas a ideias fechadas.
2. Um dos traços comuns do lançamento das comemorações é a necessidade de espevitar a intervenção cívica para aquilo que são as realidades e os problemas da sociedade em geral, e o tempo e o modo como a actividade política enobrece o compromisso público e particular com o bem comum. Das palavras mais ditas como apelo é a palavra «cidadania». Indo ao dicionário, cidadania no espírito da república pode-nos orientar mais para a noção de “cidade” que de “humanidade”. Poderíamos dizer, com as devidas limitações de todas as comparações, que a república cidadânica, inspirada na Revolução Francesa (1789), nascendo em contraposição e reacção ao modelo anterior (mais assente no “campo” que na cidade), aponta o caminho da exaltação mais de direitos de cidadania que de direitos humanos.
3. Se a república é o actual modelo de governança, este também precisa – à semelhança de outros modelos ao longo dos tempos – de ser confrontado para se ir purificando. A República nasceu com Platão, a comunidade ideal onde a todos é garantido o essencial; as repúblicas actuais, no “dia seguinte” à sua instauração, precisam de alerta contínuo para não caírem nos males que denunciaram no regime anterior. É bom sentir que só «cidadania» é muito pouco e que o «ser humano» é que é tudo! Ou seja: relativizar a ideologia, ela depende da sua prática.
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