quinta-feira, 5 de junho de 2008

Na Linha Da Utopia
O tempo de gritar
1. «Talvez tenha chegado o tempo de gritar!» A afirmação é de Fernando Nobre, presidente da AMI – Assistência Médica Internacional http://www.ami.org.pt/, em sessão (realizada a 4 de Junho) promovida pelos Serviços de Acção Social da Universidade de Aveiro. A resposta à temática «É possível sonhar com um mundo melhor?», integrando a apresentação do seu último livro «Gritos contra a Indiferença» (2008, editora Temas e Debates), foi partilhada com a experiência de serviço humanitário que ultrapassa todas as fronteiras. A AMI, fundada a 5 de Dezembro de 1984, tem sido ao longo destes já longos anos a realização solidária desse grito de esperança e de inquietação humana que supera as fronteiras dos estados, no primado da causa do serviço às pessoas na sua situação.
2. Quem vive autenticamente para servir não esconde as dificuldades e as barreiras encontradas nessa mesma entrega. Fernando Nobre não teme, por exemplo no recente caso da Birmânia, em esconder os problemas encontrados mas manifesta a esperança da resolução positiva das contrariedades, também na desejada abertura de fronteiras ideológicas para a solicitude para com as populações afectadas. Nas sociedades democráticas ele apresenta um tripé no qual assentar a construção social: 1. O Estado (de direito); 2. A economia (social); A sociedade civil (viva e fortemente actuante). Como se depreende, talvez pudéssemos ordenar de forma diversa estes três vectores, mas sempre no essencial da sua preservação harmónica e como estruturação de uma comunidade verdadeiramente humana.
3. Este último livro completa o anterior «Viagens contra a Indiferença» (2004). A obra actual também é colectânea de artigos e conferências realizadas nestes últimos dez anos, em que nos apercebemos da evolução premente que a luta contra a indiferença assume. Destaca Fernando Nobre que, da sua leitura viajante do mundo, e diante do colapso de tantas certezas recentes cabalmente desmoronadas, não chega falar é mesmo preciso «gritar» e agir. Uma boa (e profundamente inquietante) leitura para o tempo de verão poderia ser este escrito do presidente da AMI. Não são pensamentos dedutivos, de cima para baixo. Antes pelo contrário, partem da crueza das realidades e procuram esboçar uma concepção realista de sociedade em dignidade da pessoa humana. Se perdermos esta «luz» de sabedoria, perdemos tudo.
4. Tanto que é preciso reinterpretar toda a realidade a partir destas realidades tão cruas! E tanto que estes sábios da experiência deveriam ser mais ouvidos pelos decisores, dos políticos aos educativos! Também nestes terrenos é preciso um gritar humano!
Alexandre Cruz [05.06.2008]

1 comentário:

Rui Monteiro disse...

Estive na conversa íntima que Sr. Dr. Fernando Nobre deu na Universidade de Aveiro. Fiquei chocado com as enumeras realidades que referiu que passam ao lado das pessoas quanto menos dos governos.
Admiro muito alguém que já viu tanto sofrimento, tanta pobreza e morte e no entanto consegue ainda ter sanidade mental de prosseguir a sua caminhada ...
Tal como disse lá :

"todos morremos da mesma maneira ... pode ser "políticamente incorrecto" falar de morte mas a verdade é que 5 minutos antes de morrer-mos damos conta que a morte está a chegar porque os músculos ficam relaxados ... e aí nos apercebemos que não há volta a dar ... no fim somos todos iguais, somos pó.
Quando morremos somos todos iguais ...

Dia 9 de Julho Dr. Fernando Nobre estará no Fundão com o IDP na qualidade de Presidente da Assembleia Geral de este Instituto para debater a "Crise Alimentar" que se avizinha.

http://idp.somosportugueses.com

Cumprimentos e um Santo Domingo para si.
Rui Monteiro
Aradas