O FIO DO TEMPO
Alimentar o pão da esperança
1. Este fim-de-semana decorre a nível nacional a campanha do Banco Alimentar contra a Fome. Não é publicidade, são milhares de toneladas de alimentos partilhados, são milhares de voluntários pelo país inteiro, são milhões de pessoas generosas que partilham das suas possibilidades com quem nada tem. É um facto: matar a fome primeiro, formar e reformar para que a fome não exista vem depois. São centenas as instituições que ao longo do ano beneficiam desta corrente solidária que marca um sinal de solidariedade no nosso país. Quem diria há alguns anos que a campanha do Banco Alimentar se viesse a tornar a enorme esperança de pão para muitos que hoje representa?
2. Sabe-se que o dar o peixe é sempre pouco e que o ensinar a pescar representa o passo formativo em ordem ao futuro efectivamente melhor e mais comprometido. Mas às bocas sem pão, à fome que existe habitualmente e mesmo à nova fome escondida como consequência das recentes crises, o “pão” é que salva, pois ele é que pode dar a força ao corpo e garantir os mínimos da dignidade a que cada pessoa humana tem direito. Tal como é verdade que o pão garantido aumenta a esperança de o ganhar cada dia, do mesmo modo o contrário também se confirma: quando o pão não existe «todos ralham», a desmotivação cresce, o desespero amplia-se, o lar familiar pode entrar numa espiral descendente onde tudo é negro e tudo parece amargo e perdido.
3. O frio está a começar a apertar, para todos, com abrigo ou sem abrigo. O abandono às noites das grandes cidades, local como mundialmente, reflectem a brisa de muita solidão que teima em manter-se, quando não um cortejo a ampliar-se. Esta dura realidade solitária interpela todos e os proclamados modelos de desenvolvimento. Estes dias que abrem o mês de Dezembro apelam-nos à nobreza do essencial da vida para que a partilha seja dar-se a si mesmo numa esperança que irradie dias melhores para todos. O pão da esperança precisa mesmo de todos!
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
A média europeia da Educação
1. É notícia recente que Portugal está abaixo da médica europeia em termos de educação. Destacam-se em relatório divulgado os progressos tidos de 2000 a 2008, mas a procura a convergência nota-se retardadora. Do olhar cruzado pelas estatísticas, sente-se que a fase da adolescência se afirma como decisiva e destacam-se, no que já se sabe, as dificuldades na matemática e na área de língua e leitura. Sendo certo que as visões comparativas são necessárias e que os isolacionismos a nada conduzem, também não deixa de ser digno de registo aquilo que em termos de médias europeias se considera a média, como se o criar de uma uniformidade de paradigmas e no processo ensino/ aprendizagem fosse a meta fundamental a atingir.
2. Compreende-se que a competitividade de tudo e todos obrigue a uma equiparação competitiva sem precedentes. Este factor pode criar mentalidades e paradigmas que correm o perigo de uniformizar tudo e europeizar os europeus deitando a perder riquezas locais de ordem social, educativa e cultural. É, neste contexto, importante relançar a dúvida sobre se a uniformização é, de facto, factor e valor de progresso definitivo ou se deverá ser reforçado o lugar às identidades nacionais e locais por forma à justa harmonização social. Aos estudos e estatísticas presidem sempre a noção de modelos de referência globais, o que é lícito e natural. Mas esta hegemonização poderá limitar e abafar aquilo que pode ser o génio da diferença, ou os aspectos essenciais que não dando números para a “média” são efectivamente relevantes.
3. O documento estruturante europeu, a Estratégia de Lisboa (adoptada em 2000) quer transformar a Europa «na economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de um crescimento económico sustentável, acompanhado da melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de maior coesão social.» Esta é a média final europeia a que se quer chegar. E o lastro e espaço dado à diversidade local dos “alunos”?
A média europeia da Educação
1. É notícia recente que Portugal está abaixo da médica europeia em termos de educação. Destacam-se em relatório divulgado os progressos tidos de 2000 a 2008, mas a procura a convergência nota-se retardadora. Do olhar cruzado pelas estatísticas, sente-se que a fase da adolescência se afirma como decisiva e destacam-se, no que já se sabe, as dificuldades na matemática e na área de língua e leitura. Sendo certo que as visões comparativas são necessárias e que os isolacionismos a nada conduzem, também não deixa de ser digno de registo aquilo que em termos de médias europeias se considera a média, como se o criar de uma uniformidade de paradigmas e no processo ensino/ aprendizagem fosse a meta fundamental a atingir.
2. Compreende-se que a competitividade de tudo e todos obrigue a uma equiparação competitiva sem precedentes. Este factor pode criar mentalidades e paradigmas que correm o perigo de uniformizar tudo e europeizar os europeus deitando a perder riquezas locais de ordem social, educativa e cultural. É, neste contexto, importante relançar a dúvida sobre se a uniformização é, de facto, factor e valor de progresso definitivo ou se deverá ser reforçado o lugar às identidades nacionais e locais por forma à justa harmonização social. Aos estudos e estatísticas presidem sempre a noção de modelos de referência globais, o que é lícito e natural. Mas esta hegemonização poderá limitar e abafar aquilo que pode ser o génio da diferença, ou os aspectos essenciais que não dando números para a “média” são efectivamente relevantes.
3. O documento estruturante europeu, a Estratégia de Lisboa (adoptada em 2000) quer transformar a Europa «na economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de um crescimento económico sustentável, acompanhado da melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de maior coesão social.» Esta é a média final europeia a que se quer chegar. E o lastro e espaço dado à diversidade local dos “alunos”?
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
Ciência e tecnologia
1. A ciência e a tecnologia (ciência aplicada à técnica) são das maiores conquistas da razão humana. A curiosidade sistemática na cuidada observação, a conjugação de múltiplas hipóteses satisfatórias, a experimentação no perscrutar das leis que presidem à natureza e a sua aplicação também na descoberta e solução de problemas do mundo visível, são das realizações mais fascinantes da aventura humana. De todas as idades e condições, em todos os tempos e lugares da história, a curiosidade aliada à sempre procurada resolução de problemas, têm feito da ciência um caminho que usamos e aplicamos nas coisas mais simples do dia-a-dia. Mas todo o potencial de conhecimento científico por si mesmo não chega; a sua aplicação ética nas finalidades haverá de presidir à própria pesquisa no caminho.
2. Estamos em plena Semana da Ciência e Tecnologia. O Dia Nacional da Cultura Científica (24 de Novembro), criado em 1997 para assinalar o nascimento do cientista Rómulo de Carvalho (1906-1997), procura precisamente corresponder à necessária promoção da cultura científica e do ensino generalizado da ciência. Sem divulgação científica não existe consequentemente aquele necessário despertar para o mundo do conhecimento; não como meros transmissores mas como criadores e inovadores. Também sem motivações nobres, a ciência pode-se desviar do seu caminho ético e de serviço à Humanidade global. Fronteiras delicadas, sensíveis mas incontornáveis, nas quais os próprios índices de esperançosa e persistente motivação interior são um dos elos fortes do autêntico, grande e humilde, cientista.
3. A Universidade de Aveiro esta semana é um grandioso laboratório, acolhedor de muitos milhares de estudantes, nesta X Semana Aberta da Ciência e Tecnologia, de 23 a 27 de Nov.: http://www.ua.pt/semanaberta Este ano novos passos são dados: tanto no caminho da ciência solidária onde os visitantes são convidados a partilhar, como nas redes sociais que hoje nos unem ao mundo.
Ciência e tecnologia
1. A ciência e a tecnologia (ciência aplicada à técnica) são das maiores conquistas da razão humana. A curiosidade sistemática na cuidada observação, a conjugação de múltiplas hipóteses satisfatórias, a experimentação no perscrutar das leis que presidem à natureza e a sua aplicação também na descoberta e solução de problemas do mundo visível, são das realizações mais fascinantes da aventura humana. De todas as idades e condições, em todos os tempos e lugares da história, a curiosidade aliada à sempre procurada resolução de problemas, têm feito da ciência um caminho que usamos e aplicamos nas coisas mais simples do dia-a-dia. Mas todo o potencial de conhecimento científico por si mesmo não chega; a sua aplicação ética nas finalidades haverá de presidir à própria pesquisa no caminho.
2. Estamos em plena Semana da Ciência e Tecnologia. O Dia Nacional da Cultura Científica (24 de Novembro), criado em 1997 para assinalar o nascimento do cientista Rómulo de Carvalho (1906-1997), procura precisamente corresponder à necessária promoção da cultura científica e do ensino generalizado da ciência. Sem divulgação científica não existe consequentemente aquele necessário despertar para o mundo do conhecimento; não como meros transmissores mas como criadores e inovadores. Também sem motivações nobres, a ciência pode-se desviar do seu caminho ético e de serviço à Humanidade global. Fronteiras delicadas, sensíveis mas incontornáveis, nas quais os próprios índices de esperançosa e persistente motivação interior são um dos elos fortes do autêntico, grande e humilde, cientista.
3. A Universidade de Aveiro esta semana é um grandioso laboratório, acolhedor de muitos milhares de estudantes, nesta X Semana Aberta da Ciência e Tecnologia, de 23 a 27 de Nov.: http://www.ua.pt/semanaberta Este ano novos passos são dados: tanto no caminho da ciência solidária onde os visitantes são convidados a partilhar, como nas redes sociais que hoje nos unem ao mundo.
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
«We are the children»
1. Os anos oitenta estão a ser olhados com visão de quem procura apreciar e aprofundar algumas conquistas fundamentais. Se há dias (9 de Novembro) lembraram-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim, nestes dias mais recentes as duas décadas d’A CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, adoptada pela Assembleia-Geral da ONU a 20 de Novembro de 1989, tendo sido ratificada por Portugal no ano seguinte, a 21 de Setembro de 1990. Dos considerandos do preâmbulo ao texto retira-se um oportuno olhar histórico na consciência de que sendo as crianças o “futuro” já presente, daqui derivarão para todas as latitudes, pensamentos e acções, altíssimas responsabilidades em ser presença promotora dos melhores valores socioeducativos.
2. Destaca-se a certeza ideal no reconhecimento de que «a criança, para o desenvolvimento harmonioso da sua personalidade, deve crescer num ambiente familiar, em clima de felicidade, amor e compreensão». Este espírito familiar e universalista que preside à Convenção sobre os Direitos da Criança está enraizado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dos anos oitenta até ao presente não só aumentou a visibilidade mundial de ocorrências infelizes em relação aos muitos ataques à dignidade da criança, como também se verificou um crescer de condições excepcionais para com as crianças da parte do mundo ocidental. Para as outras, muita fome e miséria a que o mundo assiste; para estas a certeza de uma superabundância de pão e presentes plastificados que podem truncar a humanidade.
3. Quem não se lembra da canção We are the World, we are the children (USA for África, 1985) dos anos oitenta, como que no mesmo espírito da Convenção. Ao ouvirmos essa música pela rádio nestes dias lembra a aventura que terá sido essa década, a abertura do mundo ao próprio mundo e o acolhimento local das declarações universais. Precisamos de novas músicas / mensagens que transformem razões em pontes humanistas.
«We are the children»
1. Os anos oitenta estão a ser olhados com visão de quem procura apreciar e aprofundar algumas conquistas fundamentais. Se há dias (9 de Novembro) lembraram-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim, nestes dias mais recentes as duas décadas d’A CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, adoptada pela Assembleia-Geral da ONU a 20 de Novembro de 1989, tendo sido ratificada por Portugal no ano seguinte, a 21 de Setembro de 1990. Dos considerandos do preâmbulo ao texto retira-se um oportuno olhar histórico na consciência de que sendo as crianças o “futuro” já presente, daqui derivarão para todas as latitudes, pensamentos e acções, altíssimas responsabilidades em ser presença promotora dos melhores valores socioeducativos.
2. Destaca-se a certeza ideal no reconhecimento de que «a criança, para o desenvolvimento harmonioso da sua personalidade, deve crescer num ambiente familiar, em clima de felicidade, amor e compreensão». Este espírito familiar e universalista que preside à Convenção sobre os Direitos da Criança está enraizado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dos anos oitenta até ao presente não só aumentou a visibilidade mundial de ocorrências infelizes em relação aos muitos ataques à dignidade da criança, como também se verificou um crescer de condições excepcionais para com as crianças da parte do mundo ocidental. Para as outras, muita fome e miséria a que o mundo assiste; para estas a certeza de uma superabundância de pão e presentes plastificados que podem truncar a humanidade.
3. Quem não se lembra da canção We are the World, we are the children (USA for África, 1985) dos anos oitenta, como que no mesmo espírito da Convenção. Ao ouvirmos essa música pela rádio nestes dias lembra a aventura que terá sido essa década, a abertura do mundo ao próprio mundo e o acolhimento local das declarações universais. Precisamos de novas músicas / mensagens que transformem razões em pontes humanistas.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
A apologia da inquietude
1. A inquietude não se dá bem com a passividade e a indiferença. Das frases gravadas de Fernando Nobre (médico fundador e presidente da AMI) é aquela que nos diz que no mundo de hoje os dois males principais são a indiferença e a intolerância. Conclui deste modo quem percorre o mundo, seja fisicamente seja mentalmente. Não é preciso andar quilómetros para a intuição daqueles valores fundamentais a que como humanidade somos chamados. Cada vez que na rua observamos os mais novos dependentes de todas as tecnologias em que o olhar já não tem largueza para a relação pessoal, ou que dos poderes da comunicação ou do marketing a mensagem se revela num aliciante interesseiro sem grandes causas generosas…estas realidades, entre tantas outras, obrigam-nos a repensar hoje o lugar das inquietudes e do futuro.
2. Quando se ouve a (des)consideração que existe pela autoridade saudável, nas escolas, no trabalho ou até pelo bloqueio que se sente no diálogo de gerações dentro da mesma casa; ou quando se sente que o «não pensar» é a mais cómoda das opções gerando a apatia do «tanto faz»… faz-nos sentir o quanto urgente se torna o despertar dos sentidos humanos para sabedorias humanísticas que dêem razões e fundamentos para viver e existir de forma reflectida. O tempo actual, num adormecimento sedutor por mil e umas formas de diversão e entretenimento, precisa de resgatar a INQUIETUDE como atitude existencial e comunitária. A consciência de que o amanhã pode ser sempre melhor que o hoje e o ontem é uma aprendizagem de sabedoria intransferível, que ninguém pode viver pelo outro.
3. Dizia há alguns anos D. José Policarpo que A «felicidade não se pode confundir com facilidade». O mundo das facilidades publicitadas também tem gerado aquela ilusão que afinal não existe mas gera fragilidades de pensamentos e acções. Floresça uma apologia da inquietude, na lembrança continuamente despertadora do compromisso em cada amanhecer!
A apologia da inquietude
1. A inquietude não se dá bem com a passividade e a indiferença. Das frases gravadas de Fernando Nobre (médico fundador e presidente da AMI) é aquela que nos diz que no mundo de hoje os dois males principais são a indiferença e a intolerância. Conclui deste modo quem percorre o mundo, seja fisicamente seja mentalmente. Não é preciso andar quilómetros para a intuição daqueles valores fundamentais a que como humanidade somos chamados. Cada vez que na rua observamos os mais novos dependentes de todas as tecnologias em que o olhar já não tem largueza para a relação pessoal, ou que dos poderes da comunicação ou do marketing a mensagem se revela num aliciante interesseiro sem grandes causas generosas…estas realidades, entre tantas outras, obrigam-nos a repensar hoje o lugar das inquietudes e do futuro.
2. Quando se ouve a (des)consideração que existe pela autoridade saudável, nas escolas, no trabalho ou até pelo bloqueio que se sente no diálogo de gerações dentro da mesma casa; ou quando se sente que o «não pensar» é a mais cómoda das opções gerando a apatia do «tanto faz»… faz-nos sentir o quanto urgente se torna o despertar dos sentidos humanos para sabedorias humanísticas que dêem razões e fundamentos para viver e existir de forma reflectida. O tempo actual, num adormecimento sedutor por mil e umas formas de diversão e entretenimento, precisa de resgatar a INQUIETUDE como atitude existencial e comunitária. A consciência de que o amanhã pode ser sempre melhor que o hoje e o ontem é uma aprendizagem de sabedoria intransferível, que ninguém pode viver pelo outro.
3. Dizia há alguns anos D. José Policarpo que A «felicidade não se pode confundir com facilidade». O mundo das facilidades publicitadas também tem gerado aquela ilusão que afinal não existe mas gera fragilidades de pensamentos e acções. Floresça uma apologia da inquietude, na lembrança continuamente despertadora do compromisso em cada amanhecer!
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
Por trás da fome de pão
1. Todos concordam que o direito à alimentação e, por consequência, à sobrevivência, é um direito básico que nem precisa de ser recordado e afirmado em declarações. Mas as declarações também o escrevem e a própria Declaração do Milénio num dos seus objectivos consagra valor urgentíssimo o terminar com a fome no mundo. Foi criada a FAO (16-10-1945), instância das Nações Unidas para as preocupações da agricultura e alimentação do mundo. Mas os cenários da fome e a (in)sobrevivência nesta matéria afirmam-se com preocupação crescente. De modo transversal, aumenta o conhecimento, tanto em termos de produção alimentar mas também dos riscos da manipulação genética dos alimentos; a própria canalização de cereais para fins de biocombustíveis cresce e tudo diante da galopante classe médica asiática que vai alterar o paradigma tido até ao início deste milénio.
2. Decorreu nestes dias em Roma a Cimeira da FAO, mas sem todos os G8 (os países mais ricos do mundo). O secretário-geral da ONU foi forte ao recordar que a cada seis segundos morre uma criança de fome… Os dados, no seu realismo, são chocantes. Sendo certo que nada se pode fazer sem planificação e concertação, esta é uma área de actuação diplomática onde a natureza jurídica dos papéis se mostra insignificante diante da crueldade da multidão faminta em contraste com a fartura de alguns. Como em tantas outras questões, o primeiro passo será a alteração de comportamentos no não estragar comida, numa visão dignificante da alimentação e no gerar a corrente positiva/solidária. Por trás da fome de pão impera a fome de justiça, valores e verdade? Como mudar?
3. (Nota – correcção de gralha: os dez minutos de pausa diária na escrita d’O FIO DO TEMPO fizeram com que no texto de ontem A FACE CULTA constasse uma gralha. O texto certo é: «À situação actual de Portugal estes cenários “face oculta” era tudo o que menos se esperava, esta observada crise de instituições na área da justiça que aliada à desconfiança e suspeita de redes de corrupções, trazem para o cimo da mesa do pior que se pode esperar…»)
Por trás da fome de pão
1. Todos concordam que o direito à alimentação e, por consequência, à sobrevivência, é um direito básico que nem precisa de ser recordado e afirmado em declarações. Mas as declarações também o escrevem e a própria Declaração do Milénio num dos seus objectivos consagra valor urgentíssimo o terminar com a fome no mundo. Foi criada a FAO (16-10-1945), instância das Nações Unidas para as preocupações da agricultura e alimentação do mundo. Mas os cenários da fome e a (in)sobrevivência nesta matéria afirmam-se com preocupação crescente. De modo transversal, aumenta o conhecimento, tanto em termos de produção alimentar mas também dos riscos da manipulação genética dos alimentos; a própria canalização de cereais para fins de biocombustíveis cresce e tudo diante da galopante classe médica asiática que vai alterar o paradigma tido até ao início deste milénio.
2. Decorreu nestes dias em Roma a Cimeira da FAO, mas sem todos os G8 (os países mais ricos do mundo). O secretário-geral da ONU foi forte ao recordar que a cada seis segundos morre uma criança de fome… Os dados, no seu realismo, são chocantes. Sendo certo que nada se pode fazer sem planificação e concertação, esta é uma área de actuação diplomática onde a natureza jurídica dos papéis se mostra insignificante diante da crueldade da multidão faminta em contraste com a fartura de alguns. Como em tantas outras questões, o primeiro passo será a alteração de comportamentos no não estragar comida, numa visão dignificante da alimentação e no gerar a corrente positiva/solidária. Por trás da fome de pão impera a fome de justiça, valores e verdade? Como mudar?
3. (Nota – correcção de gralha: os dez minutos de pausa diária na escrita d’O FIO DO TEMPO fizeram com que no texto de ontem A FACE CULTA constasse uma gralha. O texto certo é: «À situação actual de Portugal estes cenários “face oculta” era tudo o que menos se esperava, esta observada crise de instituições na área da justiça que aliada à desconfiança e suspeita de redes de corrupções, trazem para o cimo da mesa do pior que se pode esperar…»)
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
O FIO DO TEMPO
A face culta
1. Podem-se citar muitos autores que claramente mostram a desvantagem da corrupção. Entre eles poderá estar António Vieira (1608-1697), na portugalidade, ou Tomás Moro (1478-1535) na época da renascença. Pode-se dizer efectivamente que a ignorância é mãe de muitas guerras; do mesmo modo se poderá tirar a ilação de que a ilusão do poder ou do ter, a par da incultura, podem ser alimento de desvio, corrupção, conluio. À situação actual de Portugal estes cenários «face oculta» era tudo o que menos se esperava, esta observada crise de instituições na área da justiça que aliada à desconfiança e suspeita de redes de corrupções, trazem para o cimo da mesa do prior que se pode esperar… Sem dramatizar mas sem ocultar, a verdade é que o nível de insegurança ética rasteja por marés nunca dantes navegadas.
2. O que vem à luz do dia é o que existe de facto. Se durante dias ou anos se pode ocultar, como o azeite a verdade acabará por mostrar a sua face. Por trás de qualquer face existem ideias, planos, projectos, valores, princípios pelos quais o caminho é percorrido. Quanto menos por trás da face – no plano da existência e dos grande valores solidários – se construir o projecto de vida, tanto mais os critérios que presidem às acções poderão ser falaciosos. Como dizia o padre António Vieira, «são as acções que fazem o ser». Neste sentido, poderemos dizer, o ser deverá ser bem construído no plano da ética para que as acções sejam conforme o melhor para o bem pessoal e social…para o não embarcar na ilusão inculta do ter desmedido.
3. Talvez o verniz que continua a estalar em tantos planos, nacionais e internacionais, continue a demonstrar que, embora cada vez mais especialistas em tecnologias, a verdade é que no plano da ética universal o desfasamento continua a crescente e avassalador. Claro que tudo depende do olhar: para faces habituadas a paisagens cheias de nuvens de relativismos, poderá ser só mais um caso que passa…Para quem procura a integridade e observa o panorama das mensagens sociais que se passam, é no mínimo alarmante.
A face culta
1. Podem-se citar muitos autores que claramente mostram a desvantagem da corrupção. Entre eles poderá estar António Vieira (1608-1697), na portugalidade, ou Tomás Moro (1478-1535) na época da renascença. Pode-se dizer efectivamente que a ignorância é mãe de muitas guerras; do mesmo modo se poderá tirar a ilação de que a ilusão do poder ou do ter, a par da incultura, podem ser alimento de desvio, corrupção, conluio. À situação actual de Portugal estes cenários «face oculta» era tudo o que menos se esperava, esta observada crise de instituições na área da justiça que aliada à desconfiança e suspeita de redes de corrupções, trazem para o cimo da mesa do prior que se pode esperar… Sem dramatizar mas sem ocultar, a verdade é que o nível de insegurança ética rasteja por marés nunca dantes navegadas.
2. O que vem à luz do dia é o que existe de facto. Se durante dias ou anos se pode ocultar, como o azeite a verdade acabará por mostrar a sua face. Por trás de qualquer face existem ideias, planos, projectos, valores, princípios pelos quais o caminho é percorrido. Quanto menos por trás da face – no plano da existência e dos grande valores solidários – se construir o projecto de vida, tanto mais os critérios que presidem às acções poderão ser falaciosos. Como dizia o padre António Vieira, «são as acções que fazem o ser». Neste sentido, poderemos dizer, o ser deverá ser bem construído no plano da ética para que as acções sejam conforme o melhor para o bem pessoal e social…para o não embarcar na ilusão inculta do ter desmedido.
3. Talvez o verniz que continua a estalar em tantos planos, nacionais e internacionais, continue a demonstrar que, embora cada vez mais especialistas em tecnologias, a verdade é que no plano da ética universal o desfasamento continua a crescente e avassalador. Claro que tudo depende do olhar: para faces habituadas a paisagens cheias de nuvens de relativismos, poderá ser só mais um caso que passa…Para quem procura a integridade e observa o panorama das mensagens sociais que se passam, é no mínimo alarmante.
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